Nunca como hoje, o teu corpo encaixou no meu.
Será que fui eu que mudei,
eu, que te queria cavaleiro andante,
morando no meu livro de aventuras,*
eu, que esqueci as tuas crenças na igualdade,
arrancada à força do cofre dos avaros.
Nunca como hoje, o teu corpo encaixou no meu.
Tiveste contigo o alvará da minha vida,
abriste os alicerces,
mas algumas pedras acabaram erodidas pelo tempo.
Não pedi castelos, nem muros de cristal,
apenas que abrigasses o meu amor
como uma planta rara .
Nunca como hoje, o teu corpo encaixou no meu.
Sim, fui eu que mudei.
Ao ver tanta miséria explícita no rosto dos homens,
abandonei meus moinhos,
e dei-te a mão
quando à noite regressávamos a casa.
Helena Figueiredo
*versos da canção "Cavaleiro Andante" de Rui Veloso
POEMA DE LUÍS COSTA ILUSTRADO POR SOFIA RIBEIRO
16 horas atrás








0 comentários:
Postar um comentário