sábado, 17 de dezembro de 2011

UM PEQUENO GESTO

Nunca como hoje, o teu corpo encaixou no meu.

Será que fui eu que mudei,
eu, que te queria cavaleiro andante,
morando no meu livro de aventuras,*
eu, que esqueci as tuas crenças na igualdade,
arrancada à força do cofre dos avaros.

Nunca como hoje,
o teu corpo encaixou no meu.

Tiveste contigo o alvará da minha vida,
abriste os alicerces,
mas algumas pedras acabaram erodidas pelo tempo.
Não pedi castelos, nem muros de cristal,
apenas que abrigasses o meu amor
como uma planta rara .


Nunca como hoje, o teu corpo encaixou no meu.

Sim, fui eu que mudei.
 Ao ver tanta miséria explícita no rosto dos homens,
abandonei meus moinhos,
e dei-te a mão
 quando à noite regressávamos a casa.

 
Helena Figueiredo
*versos da canção "Cavaleiro Andante" de Rui Veloso


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