Empilhadas na prateleira, mesma em frente à cama,
havia uma série de caixas, hermeticamente fechadas.
Em cada uma, jazia uma rosa,
pisada dias a fio entre um conto inacabado.
Tudo o que ficara das paixões,
estava ali, envolto em vistosas fitas de cetim.
E quando ela se deitava,
repetia-se na parede o filme mudo,
cenas intensas, que a impediam de dormir.
Então, enfiava o vestido preto
e passeava descalça
onde a geada pousara como borboletas.
Precisava arrefecer o coração,
oferecer a caixa do correio,
ao primeiro pardal que lhe pousasse na janela.
Helena Figueiredo
Imagem retirada da net
1 comentários:
Os quadros de imagens "quase" bucólicas é uma imagem de marca que marca a diferença... é de louvar!...
Sempre a memória e o desejo... talvez alguns sonhos tivessem ficado aprisionados no despertar prematuro e as fitas continuem a atar o pé das rosas!...
Como se algo de muito profundo, amor, quem sabe, fosse o luto pelo sentimento que, em algum coração, não chegou a nascer!...
Há sempre um pardal por aí, que vem procurar as migalhas no parapeito que resta!...
Bom fim de semana
Abraço
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